sábado, fevereiro 25, 2006

Márcio Fagundes -Hoje em Dia

Belo Horizonte, MG, Brasil, Sábado 25/02/2006

Bateu pesado
O vereador Preto, do PFL, subiu à tribuna da Câmara Municipal de Belo Horizonte nesta semana para cuspir marimbondos em cima da vereadora Neusinha Santos, líder do prefeito Pimentel. Alega o vereador que Neusinha usa projeto de colegas para aparecer. 'Ela quer atropelar todo mundo'. Refere-se o vereador ao projeto que vai redefinir o Código de Posturas. Preto bate na tecla da revisão de medidas como bancas de jornais, mesas e cadeiras nos passeios da cidade e outdoors.
Shopping
Os shopping centers da capital que não estão adequados à lei que se cuidem: os vereadores vão visitar um a um. As visitas fazem parte da CPI dos Shopping, que já teve sua primeira audiência na Câmara Municipal, quando cinco requerimentos foram aprovados. O Falls Shopping, no Bairro São Bento, será o primeiro a ser visitado. Entre os requerimentos aprovados, está o que pede à PBH cópia de todos os alvarás emitidos para os shopping centers da cidade.
Briga de torcedores
Sobre nota publicada nesta espaço, citando seu nome como valentão no Mineirão em dias de jogos do Cruzeiro, o mais que cruzeirense vereador de Belo Horizonte Wellington Magalhães, presidente estadual do Prona, diz que isto é apenas briga de torcedores. 'Não existiu', afirma. Apenas deu uma gozeira no atleticano, dizendo em alto e bom som: 'Seu Galo vai pra quinta divisão'. O vereador vai a todos os jogos do Cruzeiro e não esconde sua paixão pelo time. É isso: briga de torcedor é igual a de marido e mulher: ninguém pode meter a colher.

Vozes dissonantes

Sobre outra nota publicada neste espaço na quarta, 22, a leitora Modesta Trindade Theodoro, moradora do Bairro Monsenhor Messias, na capital mineira, 'puxa a nossa orelha'. Assumimos o esquecimento. Segue a carta, com outros 'puxões': 'A nota diz que o vereador Délio Malheiros é 'a única voz dissonante' na Câmara Municipal de Belo Horizonte, sendo 'uma pedra no sapato do prefeito'.
'Acho até interessante que haja alguém que defenda os interesses de partes sacrificadas da sociedade (nem sempre os interesses da prefeitura são os interesses do povo). No caso das contratações, principalmente de auxiliares de serviço, a investigação também deveria ser feita por outros setores do serviço público'. Continua a carta 'Recentemente, na operação abafa, Malheiros começou e logo após calou-se. O abafador funcionou. Assim, no caso da Educação, a PBH desembolsou R$ 700, por turno, para trabalhadores que participassem de, no mínimo, cinco reuniões pedagógicas (isso não é ilegal?) e os aposentados ficaram a ver não sei o quê, pois navios não passam por aqui. Contudo, não nos esqueçamos do vereador Antônio Pinheiro, que há anos também vem sendo voz dissonante na Casa. Pena que são poucas'.
Perguntar não ofende
Quando o assunto é buracos nas ruas ou estradas, o que mais se ouve atualmente nas conversas é porque o IPVA está mais caro que o IPTU, enquanto as estradas estão a cada dia mais esburacadas. E concorrer com os ônibus que dirigem, impunemente, em alta velocidade, colando na traseira dos veículos pequenos que respeitam a lei? Amigo da coluna passou por estas, no fim de semana, ao trafegar de Caeté a Belo Horizonte, pela BR-381. Veículo da Viação Gontijo trafegava assim, pelas curvas da BR, colocando em risco não só a vida de seus passageiros como dos inocentes que iam à sua frente. Que horror! Pena que ela não tinha uma caneta no momento para anotar a placa! Perguntar não ofende 2 A Polícia Federal demorou dois anos para investigar a Operação Carbono, que desmantelou quadrilha de contrabandistas de pedras preciosas. O sigilo foi quebrado, a informação 'vazou' antes da hora e os acusados ficaram apenas cinco dias presos.
Pergunta: quanto se gastou nesta operação? Tudo vai acabar em pizza, demonstrando, mais uma vez, que este não é um país sério, como disse o sábio Charles De Gaule em visita ao Brasil, ainda no século passado? Interino Conexão Brasília STJ isenta hora extra de IRPF Os pagamentos de horas extras são isentos do pagamento ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). Pelo menos esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que considerou que os valores recebidos pelas horas extras trabalhadas não estão sujeitos à incidência de recolhimento por parte da Receita Federal. O STJ considerou ainda que o 13º, proventos e férias não gozadas também são isentas de recolhimento do IRPF. Em uma outra decisão, o STJ considerou que o reconhecimento de paternidade é irrevogável e desta maneira manteve a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que tinha negado o pedido de uma anulação de paternidade. Conforme entendimento do STJ, a anulação de reconhecimento de paternidade só poderá ocorrer, salvo por erro, dolo, coação, fraude ou vícios de processo. A Comissão de Constituição e Justiça aprovou o Projeto de Decreto Legislativo que ratifica modificações de 2002 no acordo entre o Brasil e o Chile sobre seguridade social, assinado em 1993. O relator, deputado Carlos Mota (PSB-MG), considerou as modificações constitucionais e jurídica e tecnicamente adequadas. As alterações adaptam o texto anterior do acordo às novas necessidades dos cidadãos de cada um dos países que residem no território da outra parte contratante.
Da sucursal

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

“Ah, que lobo bonzinho!”

Charles Perrault nasceu em Paris em 12/01/1628 e faleceu em 1703. Aos setenta anos publicou seus contos, muitos deles advindos de histórias contadas por camponeses. Em 1881 aconteceu a publicação do livro Contos de Perrautl. Há uma introdução bem interessante de P.J.Stahl.
Ele diz que aceitou a “espinhosa missão” de cuidar de uma menina de quatro anos por pouco menos de uma hora. Pegou na biblioteca um livro e começou a ler a história. No início a menina mostrou-se reservada, depois esbugalhou os olhos e, atenta, ouviu até o final: “O malvado lobo lançou-se sobre Chapeuzinho Vermelho e a comeu”.
Assim termina a história contada por Perrault, pois foram as amas-secas alemãs que trataram de suavizar o final, revertendo a situação, criando um caçador para salvar a menina e a velhinha. Stahl não suavizou nada ao contar a história, tratou de ler o conto tal qual o francês Perrault o escreveu. O lobo empanturrou-se. Ponto. A pequena ouvinte se entusiasmou e disse: “Ah, que lobo bonzinho!”. Por quê?
Ora, vamos aos últimos fatos.
Quando a mãe da pequerrucha chegou Stahl se queixou dizendo que a menina estava com a cabeça perturbada, et cetera, et cetera. A mãe provou a insignificância do canibal para a criança, pois durante todo o tempo ela aguardava ansiosamente o desfecho para verificar. O quê? Se o lobo comeu o bolo! Um bolo como aquele que a mãe havia lhe prometido. E o lobo não o comeu. Ele estava ali, inteiro, e a criança, embevecida, o olhava. Pois bem. Stahl aprendeu o que, às vezes, as pessoas demoram a aprender. Leitores ou ouvintes, só esperamos que “deixem intata a nossa parte no bolo”.
E está acontecendo algo estranho nos brasis. Estão comendo do nosso bolo, fazendo-nos de tolos, conclamando aos quatro ventos que existe por aí um “pai dos pobres” sendo que esse pai existe em nossa cultura há mais de mil anos. Procuramos trucidar um lobo, quando devíamos buscar a raposa. Ela é tinhosa, anda às soltas correndo de canto a canto do país e do mundo, nadando em tempo de ressaca. Que Capitu não nos ouça! Cada um com cada qual pensamento - quer seja criança, adolescente ou adulto. Fiquemos de olho. De olho no bolo! Se deixarmos, sobrarão apenas migalhas repisadas, recontadas.
Quanto à vovó e Chapeuzinho já se salvaram há muito. Perguntem às amas. Elas são fenomenais quando se metem a suavizar finais de histórias. Mas como é difícil encontrá-las!

Modesta Trindade Theodoro
anarquia2004@uol.com.br

domingo, fevereiro 05, 2006

Superdotação e princípios da inclusão / O Tempo

Belo Horizonte, 04 de fevereiro de 2006
O Ministério da Educação anunciou a liberação de R$ 2 milhões para a criação de centros de apoio a alunos superdotados em escolas públicas. As discussões giram em torno do valor e da necessidade de tal investimento. O censo escolar de 2004 apontou menos de 0,005% dos alunos como superdotados.
A celeuma deveria ser maior. Não somente esses estudantes, mas todos aqueles que apresentam necessidades educacionais especiais (crianças com algum tipo de deficiência, que moram nas ruas, que trabalham, de populações distantes ou nômades, crianças de minorias linguísticas, étnicas ou culturais, e de outros grupos desfavorecidos ou marginalizados) devem dispor de recursos para obter qualquer suporte extra a fim de assegurar uma educação efetiva, o que não vem acontecendo.
É preciso relembrar que há anos educadores procuram alternativas para minimizar as dificuldades de estudantes que não dominam conhecimentos básicos: concepção de número, problemas matemáticos simples, leitura e escrita, na tentativa de desenvolverem o aprendizado em todas as áreas do conhecimento.
As razões para as dificuldades de aprendizagem são inúmeras e diversas. Mesmo quem não vivencia o cotidiano escolar sabe que é uma questão de difícil solução.
Apesar das propostas e projetos colocados em prática pelo coletivo de professores, há uma série de barreiras: a falta de material específico e em quantidade satisfatória; espaços físicos sem mobiliário e recursos adequados; tempo e outras condições insuficientes para atualização do corpo docente e a impossibilidade de acompanhar estudantes de modo individualizado, em turmas com grande número de alunos sem equipe de apoio.
Educandos e educadores vivem um drama. Muitas vezes há até três turmas diferentes em uma. Tem-se, então, que trabalhar com a heterogeneidade. Em não havendo condições, o que fazer? Separá-los, formando grupos menores?
De antemão, sabe-se que ficam agrupados com pares que vivenciam problemas semelhantes, nas chamadas “turmas-projeto”, “turmas especiais”. Socializamse com outros estudantes apenas no recreio, no início e término das aulas, e em outras atividades que envolvem toda a escola.
Não há como desconsiderar que esse é um processo excludente, de segregação, portanto não é a solução.
O que está sendo colocado em prática pelo MEC, a criação de centros de apoio para estudantes com altas habilidades, se opõe a uma orientação consensual já registrada através das publicações do próprio ministério: o princípio de que escolas devem receber e acompanhar todas as crianças em seu desenvolvimento, independente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras.
Não é possível crer em um processo de inclusão que não leve em conta tanto a análise quanto as ações sobre os problemas de aprendizagem, que não se insira em um movimento amplo de luta e de transformação da sociedade.
E neste, como em qualquer outro contexto, o isolamento e a categorização são caminhos opostos. Partamos do princípio. Do princípio da inclusão.

JOSÉ MARIA THEODORO
Professor do ensino médio e fundamental, especialista em educação especial