terça-feira, agosto 30, 2005

DEFENESTRADOS - JORNAL HOJE EM DIA

DEFENESTRADOS
Fala-se em ondas de denuncismo contra o Governo, por parte da oposição. Afinal, quem é a oposição? São os partidos de direita, centro, esquerda ou ultra-esquerda? São os punks e os anarquistas? Se existisse denuncismo, seria bem interessante, pois todas as correntes estariam interligadas. De fato, não é o caso. Fala-se em 'elite empenhada na derrubada do Governo'. Ei, espere aí! Os trabalhadores pobres morreram?
Que eu saiba, parte da elite tem entrado em defesa do presidente. Aqueles que utilizam dos veículos de comunicação para fazerem as defesas, por acaso são proletários? Que eu saiba, não. Banqueiros, também não. Abaixo o poder que nos escraviza e em nossa boca coloca palavras ocas. Depois nos defenestram, como se fôssemos papéis velhos.

Modesta Trindade Theodoro, professora
Belo Horizonte

UNE - Jornal Estado de Minas - Opinião

UNE - Entidade esquece a dialética - 30/08/2005
Modesta Trindade Theodoro-MG / Belo Horizonte

“A União Nacional de Estudantes (UNE), como qualquer entidade, tem o direito, quiçá o dever, de fazer manifestações, sobretudo contra a corrupção. Agora, não venham dizer, em nome de 67 anos de lutas, das quais também fomos partícipes, que é natural defender uma pessoa e não idéias. Em uma grande faixa em Belo Horizonte estavam os dizeres: ‘Com Lula, contra a corrupção’. O grande problema é que a força da UNE deve residir na sua filosofia e uma força centrífuga tem atuado, de modo que, em vez de uma séria discussão dialética, apega-se a chavões. A direção da UNE sabe bem que quem mais tem ganho com a crise são os partidos de esquerda, que crescem a cada escândalo. Não venha com blablablás acéfalos. É melhor que os líderes atuais da UNE (que ainda usam o cérebro) façam uma mesa redonda e resolvam de vez o que podem fazer daqui para frente.”

Sempre Anarquistas!

Sempre anarquistas! Diário da Tarde - 30/08/2005

Modesta Trindade Theodoro

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado organizava o abre-alas na marcha do dia 17 de agosto, em Brasília. Por sua vez, os anarquistas os ultrapassaram e conseguiram empanar suas bandeiras. O líder do partido supracitado não gostou do grito anarquista: o ovo, frito, jamais será cozido . Ele não pediu que os anarquistas se retirassem como afirmou um veículo de comunicação. Mandou, ordenou que seus leões-de-chácara dessem os braços e formassem um cordão de isolamento, para impedir quaisquer contaminações de punks ou anarquistas. Desminto quem disser que estou mentindo, pois a minha bandeira preta estava lá. Antes da ordem, os pstuístas começaram a empurrar. Quando perguntei se era aquela mesma a sigla da camiseta que o militante defendia, ou se ele era um policial a mando do Palácio ele retornou cuspindo: O PSTU aqui é polícia! . Estou adoentada, mas não recebo cutucão de homem sem revidar. Não bato, me defendo. O direito de ir e vir, para mim, é sagrado.

Esse foi o pecado da marcha. Por que não voaram sobre o Prona? Dá para entender? Anarquistas estão sempre nos movimentos sociais. Não esperávamos a truculência da extrema-esquerda , mesmo porque sou trabalhadora, fui com trabalhadores, fiquei com o bloco dos professores e camelôs por um bom tempo e sempre estive ao lado da população sofrida. É isso que eles chamam de ditadura do proletariado? Marx não a teorizou dessa forma. Praticaram sem o menor pudor a ditadura, mas da burguesia! Aproveitam crises e vão à luta. É certo, é justo. Querem o poder. No entanto, ninguém será bom no poder caso passe a usar as idênticas ¨armas¨ utilizadas pelo PT. Até entendo o porquê. São dissidentes do partidão . Saíram dele levando algumas marcas que não dá para tirar com água sanitária.

Quanto aos anarquistas, em 1890, desenvolveram na França o anarco-sindicalismo e participaram ativamente de sindicatos. Não era idéia nova. Na Inglaterra, Robert Owen, em 1830, defendeu a necessidade de os trabalhadores lutarem por melhores condições de trabalho no sistema capitalista reinante. Foi instaurado, três anos depois, o Feriado Nacional da Classe Trabalhadora - versão pioneira da Greve Geral, segundo historiadores. Os anarquistas franceses - Bakunin, Proudhon, Varlin - reconheceram o papel dos sindicatos e da comuna nas lutas sociais. É inacreditável que o anarquismo seja tratado, por um partido que se diz de esquerda, do modo como o foi. Preconceito e indecência política não deveriam fazer parte de manifestações. Óbvio, há facções anarquistas diferentes. No entanto, o objetivo sempre foi o mesmo: destituir o poder. Partidos querem obter o poder, eleger candidatos a ferro e a fogo. Aí reside a grande diferença. Mas as diferenças não deveriam, em tempo algum, acabar com o que há de semelhante: a luta pelo social, o basta à corrupção.

O anarquista norte-americano Thoreau dizia que a revolução somente se daria no momento em que leis e governos autoritários fossem desrespeitados. No caso da marcha do dia 17, não podemos dizer que houve revolução, mas revolta pela corrupção atual. Vê-se que grande parte da sociedade quer desvestir um santo , mas é bom saber que ela jamais aceitará vestir outro semelhante. As diferenças deverão ser grandes. O Palácio do Planalto não poderá continuar sendo reduto de stalinistas. Quanto à UNE e à CUT, que defendam quem quiserem em suas marchas secundárias, direito elas têm, porém o dinheiro dos trabalhadores não deverá ser usado para tal fim.

Espero, francamente, que um ou outro partido pondere e jamais exerça um papel de tropa de choque, senão o fora todos será fora todos mesmo! A sociedade, na certa, não afagará partidos aproveitadores. A polícia tem agido com serenidade. Está acontecendo o inesperado.

Modesta Trindade Theodoro - professora do Ensino Fundamental - Belo Horizonte

sexta-feira, agosto 26, 2005

WIKIPEDIA

Olá, pessoal,

entrem no www.wikipedia.org - Uma enciclopédia virtual- e verifiquem o nome Fernando Pimentel. Clique no link e vejam o texto. Ele pode ser editado quantas vezes for necessário. Parece que o pessoaLL de confiança fica editando o texto todo dia: já li umas três versões diferentes, algumas mais neutras, mas a maioria desancando o PimenteLL. Tem um link que remete a página pessoal do prefeito e lá também é possível deixar comentários.

Não se omita. Vá lá e participe.

quarta-feira, agosto 24, 2005

MOTORISTAS SEM CARROS E ADVOGADA BEM PAGA!!!!

EXTRA, EXTRA, MAIS DUAS DE PIMENTELL:

1- A PBH contratou - em março de 2005 - 82 motoristas para a secretaria municpal de saúde. Todos os nomes foram indicados pelo partido dos trabalhadores. Além de ser escancarado nepetismo, eles estão recebendo e deveriam estar trabalhando...se tivessem carros para dirigir. O próprio secretário de saúde, sr. Helvécio, informou a nossa fonte que os motoristas foram contratados para dirigir os fumacês, veículos dispersores de veneno anti- mosquito da dengue e que os referidos carros não existem ainda. Ora, de março a agosto - seis meses- o que ficaram fazendo: caçando mosquitos no gabinete de pimentell ou preparando a campanha 2006? Fonte: sigilosa, mas fidedigna.

2- A advogada Wânia , foi recontratada por um período de 12 meses para advogar para a URBEL - empresa Pública Municpal da PBH. Salário: 4.000 reais. Horários: não tem. Obrigações: defender e representar a empresa municipal contra os interesses dos trabalhadores.
Destacamos que um advogado concursado da URBEL recebe menos da metade e tem que cumprir jornada de 08 horas diárias. A própria chefe do dep. Jurídico da URBEL não recebe esta bolada. A advogada Wânia recebe o mesmo que 04 professores ou mais que 08 Educadores Infantis da PBH. Não precisa bater cartão ou assinar ponto e ainda dá consultoria para outras empresas municipais e particulares. Já pode? Fonte: dom 2429, 23 de agosto de 2005, página 12.

Comando tocaia grande
Do funcionalismo municipal.
Estamos de olho.

terça-feira, agosto 23, 2005

Audiência Pública na Câmara - Contratos de Terceirização e reajustes de 100%.

No dia 01 de Setembro de 2005, por iniciatiiva do Vereador Délio Malheiros, acontecerá na CMBH uma audiência pública para discutir os contratos de terceirização da PBH. Consultoria, projetos e pessoal terceirizado é o nome do mesmo saco onde se enfiam sem concurso público os apoiadores e gente de confiança do prefeito.

A maioria recebe 59% de reajuste, muitos recebem décimo quarto salário e outros até muito mais: é o caso de uma advogada que defende algumas empresas públicas e até mesmo a administração direta da PBH: teve um belo reajuste de salário.

Ela recebe desde 10 de agosto, 4.000 reais mensais só para representar uma empresa pública municipal contra os interesses dos trabalhadores (temos informações fidedignas de que recebia 2.000. Wânia teria portanto 100% de reajuste e nem é para trabalhar todo dia). A informação foi publicada no DOM número 2429, de hoje, 23 de agosto, na página 12, sob o título - contrato. Fomos informados também que ela defende a Prodabel, a BHtrans, a URBEL e a PBH, junto com Arcoverde. Vamos confirmar. Aguardem , vamos publicar também o salário deste supracitado e muito bem pago advogado.

Aos interessados na audiência pública, favor contatar a câmara para confirmar horário e local.

Atenção deconfiança:
Estamos de olho em você.
Comando Tocaia Grande.
funcionalismo municipal.

sábado, agosto 20, 2005

Matemágica

O PT vai cancelar o contrato com Duda Mendonça por motivos
políticos mais do que óbvios. Porém, uma coisa chama a
atenção na íntegra da notícia publicada pelo Estadão, quem
diria: a diferença de quase 12 milhões entre o que o
pulicitário baiano diz que possui de contratos com o
partido e aquilo que está registrado legalmente. Ou seja: a
maior parte dos pagamentos foi acordada "por fora" entre
ele e o grupo formado por Marcos Valério & Cia. Presume-se
que um publicitário experiente como Duda dificilmente se
deixaria enganar em questões relativas a contas a receber.
Para servir de cereja desse bolo sabe-se que ele foi
devidamente aconselhado pelo "painho" ACM antes de se
apresentar voluntariamente na CPMI jogar a pá de cal no
governo que ajudou a eleger.

Link:
http://www.estadao.com.br/nacional/noticias/2005/ago/12/196.
htm


Comentário final a título de reconhecimento: Lula não se
elegeria sem o trabalho primoroso de Duda Mendonça, é
verdade. Mas jamais deveria tentar fazer parte do mesmo
grupo de pessoas com quem o publicitário convive. Muito
provavelmente será derrotado, senão apeado do poder por
obra e graça daqueles que jamais deveriam continuar por
perto após terminadas as eleições.

Maurício Alves
jmauricioalves@gmx.net
BHZ

quinta-feira, agosto 18, 2005

Conexão mineira do mensalão

Lista dos que sacaram dinheiro das contas das agênciasde Marcos Valério inclui nome de Rodrigo Barroso, que trabalhou na campanha de Fernando Pimentel, e até de adversários
(Leonardo Augusto/Estado de Minas)(Bertha Maakaroun/Estado de Minas)
O sétimo maior sacador de recursos das contascorrentes da agência de publicidade SMPB, do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, no bancoRural é ligado ao prefeito de Belo Horizonte, FernandoPimentel (PT). Rodrigo Barroso Fernandes, que conformelevantamento repassado pelo Banco Rural à CPI dosCorreios retirou R$ 274 mil das contas da agência,trabalhou na campanha de Pimentel à prefeitura em 2004como coordenador financeiro. Até quarta-feira, erapresidente da Fundação Mineira de Cultura (FMC),criada no início do ano, após a extinção da SecretariaMunicipal de Cultura. Com a divulgação de seu nomecomo um dos sacadores de recursos nas contas dasagências de Marcos Valério, acusado de ser o operadordo esquema de pagamento de propina a deputados da basealiada, Fernandes enviou pedido de afastamento docargo ao prefeito Fernando Pimentel.
Em nota divulgada na quarta-feira pela Prefeitura deBelo Horizonte, Rodrigo Barroso afirma ter visto“pelos jornais de hoje (quarta), com surpresa eindignação, referência ao meu nome como fazendo partede uma lista de supostos recebedores de recursos daempresa SMPB através do banco Rural”. Ele diz aindaque não recebeu “qualquer recurso desta empresa, com aqual nunca mantive qualquer relação, tampouco com seusdirigentes ou funcionários. Adianto que estareitomando as providências jurídicas cabíveis, paraapurar se a inclusão do meu nome nessa lista é produtode equívoco ou má fé”. Ainda assim, ele preferiu seafastar do cargo. O prefeito Fernando Pimentel , queaceitou o pedido de afastamento, não quis falar sobreo assunto.
Antes da curta passagem pela FMC, o ex-presidente dafundação ocupou o cargo de secretário particular doprefeito Fernando Pimentel, posto para o qual foiindicado, com a identificação BM-77773-4, em primeirode novembro do ano passado, quinze dias após aseleições, vencidas por Pimentel em primeiro turno.Permaneceu no cargo até 30 de dezembro. No DiárioOficial do Município (DOM) de primeiro de janeirodeste ano, em um dos primeiros atos do prefeitoPimentel, Fernandes é indicado assessor especial dogabinete do prefeito. Ao mesmo tempo, é designado pararesponder pelas “atividades de cultura do município”.Na prática, o assessor foi designado pelo prefeitopara fazer as adequações para transformar a SecretariaMunicipal de Cultura em uma fundação, como ocorreu. Em24 de fevereiro, Fernandes é exonerado do cargo deassessor especial e indicado presidente da fundação,administrando orçamento de R$ 21 milhões e comautonomia para captar investimentos no Brasil e noexterior.
Policial também aparece na lista
Outro nome que consta da lista de sacadores dedinheiro na conta bancária de uma das agências deMarcos Valério é o do inspetor-adjunto da PolíciaCivil de Minas Gerais, David Rodrigues Alves, de 49anos, que aparece como o segundo maior sacador, emespécie. Segundo os registros da movimentação bancáriarepassados à CPI dos Correios, o inspetor teria feito14 retiradas de R$ 300 mil, em Belo Horizonte, na bocado caixa, no ano de 2003. Em depoimento à Corregedoriade Polícia Civil, que se iniciou às 23h de terça-feirae só terminou na quarta-feira de madrugada, DavidRodrigues Alves revelou que fizera as retiradas naagência da Olegário Maciel.
Em seu depoimento, o inspetor-adjunto, que está desde1981 na Polícia Civil, atua no Primeiro Departamentode Polícia Civil e foi nomeado para o cargo deconfiança em 4 de junho de 2005, disse que recebia porcada retirada entre R$ 100 e R$ 200. (Com IsabellaSouto) Analisem voces: Data de admissão do Sr. Rodrigo Barroso Fernandes: 01novembro de 2004 (logo depois das eleições)Permanencia no Cargo: até 30 de dezembro (apenas 60dias)logo depois é indicado assessor especial do gabinetedo prefeito para transformar a Secretaria Municipalde Cultura em uma fundação, como ocorreu.aí então Fernandes é exonerado do cargo de assessorespecial e indicado presidente da fundação,administrando orçamento de R$ 21 milhões e comautonomia para captar investimentos no Brasil e noexterior. POR FAVOR DIVULGUEM !!!! obrigado. du.

Essa mensagem me foi repassada, em anexo, por uma amiga que comentou algo muito significativo e que reproduzo aqui:

Caros amigos,
Estou sempre recebendo mensagem como esta anexa. Sinto tristeza e indignação. Apesar de fazer parte dos que consideram que a merda 'tem seu lugar', sobretudo nos lugares mais perfumados, o que dizer sobre essa doBrasil que parece não ter mais dimensão?Acreditaremos que é no excesso que o equilíbrio émantido? O equilíbrio de quem, da corja?O que fazer? Um super vaso, com uma super descargaensurdecedora?Enquanto isso na sala de justiça... ou melhor, ao ladoda sala de justiça, aguardo, sem surpresa, a próximabomba em terras européias. Bombas que ensurdecem e perpetuam o sucesso damentalidade imperialista, do monólogo colonialistamudo, surdo, e sem interesse.Quando decidi vir de mudança para a europa, há quatroanos, um amigo que estava voltando citou, não lembromais quem, um desses ilustres brasileiros que por aquiesteve muitos anos antes: 'Paris é bom, mas é umamerda; e o Brasil, o Brasil é uma merda, mas é bom'.
Duas questões:Há quanto tempo o Brasil é uma merda?Em quê a merda daí se diferencia da daqui?
Como não sei como encerrar toda essa confusão que criei, despeço-me assim:Saudades daquela cachacinha sincera com queijim curado rodeado de mosquitos, lá do boteco do seu Zé,desdentado e sorridente, num daqueles buracos deMinas, como sempre borrados por uma igreja no meio.
Mandem notícias e desculpem-me pelo desabafo, pelos termos... A idéia inicial era apenas a de puxar conversa... saber de vocês, saber como vocês estão vendo a atual politicagem brasileira, enfim...
Abraços,
Andrea.

quinta-feira, agosto 11, 2005

Chefe de Honra

Jornal O Tempo - 11/08/2005

Chefe de honra

Modesta Trindade Theodoro

Inexistiriam no Palácio do Planalto imensos salões dedicados a presidentes, caso a governança se desse, na grande maioria das vezes, do lado de fora. Seria até interessante se governantes ficassem proseando e observando o modus vivendi dos eleitores, como Aristóteles fazia com seus pupilos (doutrina peripatética). O convívio com a realidade poderia prestar grande auxílio a nós outros.

Incomoda-me o fato de apenas agora Sua Exª. Luiz Inácio da Silva percorrer o país. Ele deveria ter feito isso quando foi eleito, para agradecer. No entanto, o “aerolula” preferiu pousar, durante uns dois anos, em terras estrangeiras.

Praticamente às vésperas das eleições é que o presidente resolve dar o ar de sua graça. Óbvio que a campanha para 2006 está sendo antecipada. Caso a CNBB negue uma antecipação de campanha eleitoral ela talvez falte com a verdade. Caso silencie a respeito dos fatos estará sendo omissa. Católicos aguardam ansiosos. Afinal, convenhamos, é uma opinião de peso.

Pelo que vi em Belo Horizonte por detrás das grades colocadas na rua, o tom foi de pura campanha. A fuga pelos fundos do Sesiminas ao final do blablablá político partidário deixou claro que o povo belo-horizontino está dividido. Caso ele tivesse saído pela porta da frente, seria “ovocionado”, apesar do aparato policial, não restam dúvidas.

No momento em que aquele que foi eleito resolver administrar o país poderemos ter noção do que é governar. Caso contrário continuaremos vivendo sob a égide do regime parlamentarista sem nele ter votado. A mim me parece que existe um chefe de honra nos brasis cujas tarefas são: viajar, discursar e inaugurar placas e planos.

É o estilo petista ou lulista de governar? Nessas horas lembro-me das palavras do poeta Pablo Neruda: “Se desapareço, apareço com outro olhar: é a mesma coisa. Sou um herói imperecível: não tenho começo nem fim e a minha moral consiste num prato de peixe frito.”.

Em tempo: O que se faz com um prato de peixe frito?

Fique em dia sobre o Escânda-lo do mensalão

sábado, agosto 06, 2005

DESARMAMENTO: A ALEGRIA DO CRIME! (Clica aqui)

DESARMAMENTO: A ALEGRIA DO CRIME! (redirecionado pra não ficar repetido)

Cartas - Dia 06/07 - Diário da Tarde

Prefeitura

Sr. Editor,

Creio que o ideal republicano repousa sobre as normas coletivamente/legitimamante construídas e democraticamente seguidas. Vejo que em muitas e muitas oportunidades o prefeito Fernando Pimentel e sua equipe descumprem acordos com o servidores, com a cidade e com os cidadãos e agridem violentamente a república e a democracia. Exemplifico: a) orçamento participativo - as obras definidas demoram até cinco anos para serem feitas. Afirmam que tem 112 obras prontas.

Se fizermos o balanço veremos que há mais de 150 paradas ou atrasadas com a desculpa da falta de verbas. Claro que estou falando das obras na periferia, pois na ¨zona sul¨ o tratamento é outro (pista de cooper da Bandeirantes, Igrejinha da Pampulha, praça 7 etc).

Não se justifica dizer que são obras relevantes: todas são, inclusive as da Cabana, Barragem, Morro das Pedras, Serra etc. b) as férias prêmio dos professores, que ficam na fila até dois ano, para receber o que é direito legal. Já o pagamento do reajuste para o primeiro escalão (59%) e o décimo quarto salário foi extraordinariamente rápido. Não adianta justificar que foi o legislativo que votou. Se Pimentel não concordava, bastava vetar o reajuste. c) a inversão de prioridades: Pimentel gastou 15,6 milhões no gabinete em dois meses. Com o quê? E a periferia com suas obras atrasadas? E os servidores com reajuste Zero? Para isto não tem dinheiro? Incoerência tem limite. Se precisarem de mais exemplos façam contato:

Professor Geraldinho - servidor e cidadão - e-mai: prof,geraldinho@yahoo.com.br

O riso da vara

Sr. Editor.

É inadmissível que alguns ¨porcos¨ teçam julgamentos sobre a cultura do povo mineiro (uai, sô, né,...) aliados às falcatruas cometidas por certos elementos. Bons políticos não utilizam de grotescas ironias e generalizações desnecessárias. Se aqui é o caminho da roça , como dizem, esse outro povo passa longe dele! A maioria dos mineiros não pertence a essa ¨nata¨, portanto conheçam melhor o caminho. Nossa labuta é sinuosa. Ainda temos que digerir trapos mal traçados e preconceituosos. Faz parte também do show Brasil proposto pelos magnatas do poder? Que eles não venham nos aliar às corjas nem sempre mineiras. Do Norte ao Sul, o povo merece respeito. Separem o joio do trigo! Depois, teçam comentários. Deixem por conta dos atores do riso a gozação. As necessidades básicas já consomem muitos de nós, verdadeiros operários. Querem discriminar? Por onde continuaremos?!

Modesta Trindade Theodoro - Rua Desembargador Tinoco, 95 - Bairro Monsenhor

OS ARTIGOS PUBLICADOS com assinatura não traduzem ou podem não traduzir o pensamento/opinião do jornal, que por eles não se responsabiliza. E os leitores só terão suas cartas publicadas, no todo ou em parte, se elas contiverem nome, assinatura e endereço absolutamente legíveis

sexta-feira, agosto 05, 2005

E agora, José?

Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.


José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, proptesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você consasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

segunda-feira, agosto 01, 2005

O ESTADO E A CORRUPÇÃO

João Ricardo Soares

Em um dos escândalos de corrupção que freqüentemente vem à tona no noticiário, apareceu uma expressão que estava de acordo com o senso comum: no Brasil não existiam partidos e sim “gangues organizadas para assaltar o orçamento público”. Esta é a percepção da maioria da população sobre os partidos que controlam os governos de turno.
Mas, em 2002, a maioria da população lançou mão da “última linha de defesa” da “ética” para tentar administrar o Estado, e voltá-lo para os “mais necessitados”; elegeu o PT e Lula, para mudar suas vidas e acabar com a corrupção.
Agora, após o desmoronamento da “última linha de defesa” da ética na administração do Estado burguês, a população trabalhadora percebe que o PT também é “igual a tudo isso que está aí”.
Esta constatação apenas inicia os nossos problemas. O miolo da discussão entre a maioria dos ativistas, em particular entre aqueles que fizeram a campanha de Lula, é que não existe alternativa. Em geral se repetem as frases de que “todos os partidos são corruptos. Qualquer um que chegue ao poder também vai se corromper”.
Temos um ponto de contato importante com todos os que afirmam que o PT já não se diferencia de “tudo isso que esta aí’”. Mas os que afirmam que não existe alternativa, omitem a questão central deste debate: o PT teve como estratégia administrar o Estado dos patrões e afirmava que se manteria incólume à máquina de corrupção da burguesia. Não deu certo.
Mas é esta a única alternativa que tem os trabalhadores para mudar suas vidas? O horizonte da “política” se resume ao lamaçal da política burguesa?
Defesa da propriedade privada
O Estado na forma como o conhecemos hoje é um conjunto de instituições – o governo que administra o cotidiano do país, a Justiça, o Parlamento e as Forças Armadas – que tem uma função central, manter e preservar o sistema capitalista, cuja base é a propriedade privada. Assim todas as instituições do Estado têm a função de preservar a propriedade privada, seja por leis, seja pelo uso da repressão. Nós nos deparamos todos os dias com estes fatos quando sem-teto ocupam um terreno urbano ou sem-terra ocupam uma propriedade rural, e os operários ocupam uma fábrica: todas estas instituições do Estado se encarregam de “garantir o direito à propriedade”. Pois esta é a fonte da apropriação dos lucros. Mas o Estado nem sempre teve essa cara.
De Estado absolutista para capitalista
As classes dominantes que existiram antes da burguesia dirigiam pessoalmente o aparelho do Estado, pois era pela via da coação que se garantia a extração do excedente econômico obrigando os camponeses a trabalhar de forma gratuita em suas terras, ou nas “terras do Estado”.
Foi na Europa, quando surge um tipo de Estado, chamado absolutista, que foi obrigado a estruturar as fronteiras, ordenar o mercado interno, montar um sistema de aduanas e um exército permanente, que se desenvolve um tipo de Estado com um poderoso aparato burocrático, no interesse de uma determinada classe.
As revoluções burguesas, não destruíram esta máquina estatal absolutista desenvolvida pela nobreza, mas a aperfeiçoaram e a colocaram ao seu dispor. Mantendo a burocracia estatal a serviço do nascente capitalismo.
A burguesia, não necessitava, estar à frente do Estado. Necessitava sim estar à frente de seus negócios, no controle da propriedade, que é de onde obtém seus lucros.
No entanto o sistema capitalista não se desenvolve de forma harmônica. O Estado burguês além de garantir o interesse geral da burguesia como classe – expresso na defesa da propriedade privada – também é árbitro dos interesses particulares dos distintos setores burgueses.
O capitalismo tem o conflito em sua própria essência. Burguesia contra o proletariado é a contradição fundamental, mas a burguesia também tem fortes conflitos na divisão da mais valia e na proteção que o Estado pode dar a distintos ramos da produção.
A luta dos distintos partidos burgueses para controlar o governo e administrar o aparato do Estado reflete os interesses de cada uma das camarilhas e seus representantes dentro do aparato do Estado e suas instituições.
Toda burocracia tende à corrupção
A burguesia ampliou e qualificou a máquina burocrática do Estado. A alta burocracia do Estado é a representante direta do interesse geral da burguesia.
Mas este fato não anula a disputa pelos interesses específicos de cada uma das frações. É conhecida a relação carnal da administração Bush com as petroleiras e com a indústria militar. Toda a atual cúpula do governo, a começar pelo presidente, já esteve no comando de grandes empresas de petróleo e energia.
A burguesia usa todas as armas que dispõe para manter e ampliar seus negócios, desde a guerra aberta contra o proletariado e contra setores burgueses, até a corrupção.
Ao administrar os negócios da burguesia dentro do Estado, a burocracia também é corrompida pelas distintas frações burguesas para facilitação dos negócios.
E isto não ocorre somente no contrato do lixo das prefeituras, mas nas altas esferas do Estado, tanto do Estado brasileiro como no Estado norte-americano, como ficou demonstrado no último escândalo da empresa Enron, que, com a conivência do órgão de controle do Estado, falsificava o balanço da empresa, transformando prejuízos em lucros.
Assim a corrupção da burocracia que administra os negócios do Estado é parte carnal do sistema. É o resultado de um sistema em que o enfrentamento de “todos contra todos” é a regra básica, onde o contrato ganho por uma empresa significa o prejuízo de outra.
A concorrência entre as grandes empresas não se dá somente no “mercado” em geral, mas também nos milionários contratos do Estado que pode decidir se uma empresa sobrevive ou não.
O PT fez uma opção política: administrar esse Estado e fazer parte de “tudo isso que está aí”, e o resultado não poderia ser diferente.
Democracia burguesa e monopólios
Lenin, se referindo ao sistema parlamentar que governava a maioria dos países imperialistas, afirmou que “A república burguesa, o parlamento, o sufrágio universal, tudo isso constitui um imenso progresso do ponto de vista do desenvolvimento mundial da sociedade”. Em um sentido histórico, o parlamento burguês foi um profundo avanço no sentido de estabelecer a democracia interna, dentro da classe burguesa. A democracia burguesa foi em sua época a expressão mais desenvolvida de uma democracia dentro de uma sociedade dividida em classes.
Esta democracia permitiu definir nos seus inícios as regras pacíficas para a mudança do controle do Estado. Era o período da livre concorrência entre os capitais.
O proletariado pôde utilizar os respingos desta democracia interna das classes burguesas adquirindo a liberdade de expressão e de organização, construindo seus sindicatos, seus partidos.
De quem são as prerrogativas
O advento do imperialismo, porém, converte essa imensa conquista da humanidade em algo decadente: “O imperialismo, época do capital bancário, época dos gigantescos monopólios capitalistas, época de transformação do capitalismo monopolista em capitalismo monopolista de Estado, mostra o esforço extraordinário da máquina do Estado, o crescimento inaudito de seu aparelho burocrático e militar em ligação com o esforço da repressão contra o proletariado”, dizia Lenin.
O fim da livre concorrência entre os capitais também significou o fim do parlamentarismo burguês como a expressão da democracia interna da própria burguesia. O parlamento converte-se em um jogo nas mãos das grandes empresas, tanto nos países semicoloniais como nos imperialistas.
Os senhores deputados não conseguem sequer definir quanto o país vai gastar em saneamento básico. Essa é uma prerrogativa do Palocci, ou melhor, do FMI. A taxa de juros, bom essa é uma prerrogativa do BankBoston.
Se os grandes negócios estão na alçada da presidência da República e dos ministérios, e o orçamento público é prerrogativa do FMI, os parlamentares buscam “sua parte” na definição do orçamento e na direção das estatais.
O financiamento das campanhas eleitorais pelas grandes empresas é a expressão mais clara de que o que se discute nesta instituição é tudo menos o interesse “geral do povo”.
A tragicomédia da CUT, MST e UNE que, em sua “Carta ao Povo Brasileiro” falam sobre o “golpe da direita”, não têm sequer o trabalho de analisar quais foram os projetos apresentados pelo governo ao parlamento que resultou nas denúncias de corrupção: as reformas da Previdência, Tributária, Sindical e Trabalhista. Todas de profundo interesse das grandes empresas.
Ao optar pela administração dos negócios da burguesia contra a maioria do povo explorado, o PT incorpora os mesmos métodos com os quais todos os governos burgueses atuam. Esse é o jogo, essas são as regras.
O movimento operário e o Estado burguês
A postura em relação ao Estado divide o movimento operário desde suas origens. A primeira grande batalha sobre esse tema ocorre entre os marxistas e anarquistas, quando o movimento operário ainda engatinhava.
Os anarquistas postulavam que a base de toda a opressão tinha origem no Estado, que bastava suprimi-lo e o proletariado se libertaria das amarras do capitalismo.
A polêmica com o anarquismo foi em grande parte resolvida pela própria realidade, quando Engels observa que na Espanha em 1873, durante o processo revolucionário que resultou na proclamação da República, os anarquistas “em vez de abolir [o Estado] criaram uma série de pequenos Estados novos”.
A primeira percepção de Marx e Engels sobre a relação do movimento operário em relação ao Estado aparece no Manifesto Comunista. Os fundadores do Socialismo Cientifico definiram que a classe operária “usará o seu domínio político para ir arrancando todo o capital das mãos da burguesia, para centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado”.
No entanto, foi depois da Comuna de Paris, que, segundo Lenin, fornece “a experiência viva”, permitirá ao marxismo chegar a duas conclusões fundamentais: A primeira refere-se ao fato de que “Todas as revoluções anteriores aperfeiçoaram a máquina do Estado, mas é preciso destruí-la, quebrá-la. Esta conclusão é o principal, o fundamental da doutrina marxista sobre o Estado”.
Polêmica na social-democracia
Não foi todo o movimento marxista, entretanto, que teve essa interpretação das tarefas do proletariado diante do Estado.
O principal teórico da social-democracia alemã, Kautsky, polemizando então com Benstein, afirmava que “não é menos certo que criaram o termo ‘ditadura do proletariado’, pela qual Engels lutava, todavia, em 1891, pouco tempo antes de sua morte, expressão da hegemonia política exclusiva do proletariado como única forma sob a qual este pode exercer o poder”.
Mas, segundo Lenin, já em suas polêmicas com a então ala direita do Partido, Kaustky se recusava a tocar no ponto central do que fazer com a máquina do Estado, via somente o governo operário com a hegemonia do partido operário dentro da máquina estatal construída pela burguesia: “A tergiversação do marxismo pelos partidários de Kautsky e da II Internacional mostra-se mais sutil quando eles, reconhecendo o Estado como produto irreconciliável das contradições entre as classes (...), uma força que está por cima da sociedade e por vezes se divorcia dela. Esquecem que a libertação da classe oprimida é impossível sem (...) a destruição do aparato de poder estatal que a classe dominante criou e no qual toma corpo aquele divórcio”.
Assim a idéia de um governo operário, para a maioria da social-democracia alemã, manteria intacta a estrutura do Estado herdado da burguesia.
Por isso Kautsky se converte em um crítico implacável da estrutura soviética que adquire o governo que surge como produto da revolução de outubro na Rússia, defendendo a manutenção do parlamento burguês.
Os fatos posteriores também resolvem a polêmica. A participação da social-democracia no governo alemão em 1918, o conseqüente assassinato de Rosa Luxemburgo pelas mãos do aparato de Estado burguês dirigido pela social-democracia e a derrota da revolução alemã são expressões de que nenhum partido operário teria condições de controlar a maquina do Estado burguês.
Não existe nenhuma possibilidade de transformar a vida dos milhões de oprimidos utilizando-se da máquina do Estado. A tentativa do PT, como a da social-democracia européia, somente resultou na transformação destas organizações em partidos da ordem burguesa.
Para se acabar com a corrupção no Estado, é necessário acabar com o próprio Estado. Só assim será possível que a base trabalhadora controle o aparato do Estado, e evite a corrupção. Os funcionários deste Estado seriam eleitos, e revogáveis a qualquer momento, pela sua base. Teriam salários iguais aos dos operários, sem qualquer privilégio.
Para usar um exemplo concreto: não vemos nenhuma possibilidade de acabar com a corrupção nos Correios somente com a substituição do PT no governo pelo PSDB nas próximas eleições, ou por qualquer partido no sistema atual. Qualquer um deles seria corrompido pelas empresas que fazem os contratos com essa estatal. Seria necessária uma revolução que acabasse com as empresas privadas, as grandes corruptoras.
Uma primeira medida que pode ser defendida ainda no sistema atual, como parte da luta contra este Estado, deve ser a eleição direta das diretorias das empresas estatais pelos trabalhadores da empresa. Assim a direção dos Correios seria eleita pelos seus funcionários (com salários iguais aos outros trabalhadores), podendo ser mudada a qualquer momento.

Eu choro, tu choras... E ele?

Belo Horizonte, 01 de Agosto de 2005

Jornal O Tempo - Opinião

Eu choro, tu choras... E ele?

JOSÉ MARIA THEODORO

Tão fácil quanto trocar bandeiras diante de órgãos públicos, técnicos gestores, articuladores da exploração da mão-de-obra mais em conta para se obter o máximo de lucro, incorporaram como marca registrada os discursos, as palavras de ordem, as manifestações daqueles que se colocam como oposição ao poder que emana dos mandatos.

Promovem, inclusive, assembléias, mas sem atos posteriores ou ocupações de prédios administrativos. Caminhando e cantando, seguindo..., bandeiras empunhadas à frente da população, exilando da memória Geraldo Vandré, esses sujeitos entoam um populismo disfarçado, um assistencialismo em forma de cumprimento dos compromissos assumidos.

Dizem-se a classe operária no poder. E reinventam a censura ao se colocarem como representantes. Consideram-se mártires, protagonistas, mas não esperem deles que hoje façam greve de fome ou qualquer outra greve. Censuram Paulo César Pinheiro no “Canto Brasileiro”: “Você corta um verso/ eu escrevo outro,/ você me prende vivo/ eu escapo morto,/ de repente olha eu de novo,/ perturbando a paz,/ exigindo o troco...” Vêem-se como “memória viva”. Pisam o túmulo de Vladimir Herzog, Betinho, Henfil, Chico Mendes, Vianinha e de muitos outros, para imprecar.

Comparem a famosa foto do filme “1900” de Bernardo Bertolucci: camponeses em caminhada de protesto, mulheres à frente, crianças no colo e, no outro extremo, legisladores engravatados em direção ao Palácio do Planalto.

Outra foto, do protesto de membros da atual base governamental quando ainda se colocavam como oposição, mostrando com o polegar e o indicador o tamanho do reajuste do salário mínimo.

Faz parte do jogo político a eleição de um “operário” e ex-sindicalista para a Presidência da República. Caso contrário, não se sentaria à mesa com um adversário para trocar idéias sobre como ocorreria a transição de governo, atrelando-se à mesma política que sempre atacou nos palanques.

Não apertaria a mão do presidente norte-americano contra o qual fazia duras críticas. Evitaria continuar tributando, cada vez mais, coerente com as idéias que defendia... Peremptório: “O partido será implacável na apuração da corrupção”.

Tanto nesse contexto quanto em outros de compra de votos por reeleições, o presidente é sempre candidato, mas não é só por essa razão que continua nos palanques e constantemente em campanhas publicitárias. Há a insistência em se dizer que faz parte do povo.

Antes de tudo, pela legitimidade, há de se inquirir quem integra CPIs e quem são os réus. Não estamos assistindo a um filme sobre traições à Casa Branca, com inimigos infiltrados no FBI, no qual em determinado momento o presidente chora.

Comparem: assistir aos discursos inflamados dos signatários dos princípios do partido, da governabilidade, da legalidade ou a encenação de um texto de Plínio Marcos, que mostra a fome e a miséria que não estão nos bastidores, mas no estômago, expressa nos olhos, marca indelével no corpo esquálido de milhões de brasileiros. “... Afasta de mim esse...” Cale-se, e apenas ouça e veja na telinha como se tudo estivesse acontecendo do outro lado do mundo. Por mais inacreditável que seja, está acontecendo e o que podemos fazer é aqui. E agora! Façamos.

Professor do ensino médio e fundamental, especialista em educação especial