sexta-feira, novembro 11, 2005

Vendedores de Fósforos - Diário da Tarde - 11/11/05

Por Modesta Trindade Theodoro
Opinião - Diário da Tarde

Vendedores de fósforos

O parlamentar José Dirceu já teve tempo mais do que suficiente para se defender das acusações que lhe foram impostas. Jamais assisti a tanta justiça com alguém. É estranho, porque em nosso meio a injustiça corre feito faísca. Fica até parecendo que o ex-ministro é muito diferente dos pobres mortais e detém informações valiosíssimas, a ponto de barrarem um número sem fim de ações contra ele. Impossível acreditar que o Sr. Delúbio e o Sr. Marcos Valério são os mentores de todo o esquema. O tamanho e a qualidade não combinam com esses senhores. Afinal, eles estão pela hora da morte. Ninguém que tenha bolado façanhas de tal alçada estaria tão mal no xadrez. O sr. Delúbio caiu como um peão, o sr. Marcos está mais para o cavalo, num infinito ziguezaguear em L. A qualquer momento será abatido pela torre, quiçá pelo bispo ou algum outro afoito peão. Nunca acreditei que a expulsão do Sr. Delúbio deveria desfavorecer pessoas que tiveram armários abarrotados de dinheiro para a campanha eleitoral. Só bobo recebeu cheque. Os espertos saíram de fino. Quem provará algo contra eles? O enxotamento seguiu uma linha de raciocínio básica. Isto prova que o ex-tesoureiro não teve, em muitos momentos, a eficácia que teria para montar e alinhavar um caixa paralelo hiperbólico. Assim caminha a humanidade. E, na era da incerteza - com a licença de John Galbraith -, assistimos a intelectuais ou artistas (há artistas que não são intelectuais e vice-versa) saindo em defesa do deputado José Dirceu. Que saiam ! Direito eles e elas têm. O povo também tem o direito de acreditar ou não, de avaliar as intenções e provocações.

A cantora Fafá de Belém não se transformou em Miss Monroe e foi cantar o folclórico ¨Parabéns para você...¨ para o presidente? Claro que cantar para um Kennedy é mais interessante para o mundo que cantar para o presidente do Brasil. Não vou entrar no mérito, mas só faltou a beldade sair de dentro do bolo para que ficasse mais interessante.
Violência, atentado nos palácios contra o povo que corre da chuva para chegar a tempo no sopão. Somos vendedores de fósforos. Estamos apenas espiando de longe uma festa que a nós não nos pertence. Tem jeito não. Talvez nem nas urnas, porque as campanhas começaram regadas a ouro, cravejadas de brilhantes, como repetia a atriz que personificava Dona Neuta. Êta artistas para nos dar gosto!