terça-feira, setembro 27, 2005

O presidente falou em democracia?

Democracia e Liberdade
Caso exista realmente “o poder do povo” que é essa tal de democracia tão comentada, deveria, naturalmente, existir a liberdade. E ela existe?! Vejamos: o indivíduo é obrigado a votar; a trabalhar durante toda a sua vida para aposentar-se muitas vezes (in)dignamente, a menos que pretenda ser um caminhante, ou pedidor, um buscador de ilusões perdidas, ou incinerador de crenças e ideais. Na hora “h” as perdas são superiores aos ganhos. Muitos, ao se aposentarem vivem um pouco mais e fenecem em cova rasa. É a vida do trabalhador pobre, cujo caixa dois é esconder o vento e colher granizo sonhando ser cristal. Utiliza a latrina às pressas comprometendo a saúde, sujando a roupa antes do tempo. O tempo se fecha entre o uso e a lavação, que apenas cessará quando criarem roupas postiças, fáceis e baratas.
Há prazer depois de tudo isso? Creio que sim. Reside nas poucas cousas e muitos casos ouvidos no dia do descanso de Deus. Pessoas que se julgam libertas das amarras não acreditam que tribunais façam com que seus pares, também escravos, tenham o destino decidido pelos tribunais de forma cruel, por terem furtado um pacote de arroz. Sabem do furto à dignidade, do roubo escancarado do capital que deveria ser público e torna-se privado, privativo. O que fazem?!
Como podemos falar de democracia plena e de direito, se de fato ela se encontra em leis subtraídas aos olhos do povo? Que democracia é essa em que as partículas do poder constituído lancham os pobres e nutrem os poderosos, aquiescendo ao mais leve sinal de “me aguarde”? Carecem do pobre para a dura arte de varrer e aos outros fica a 'dificílima' tarefa de sujar. É a democracia do que se exploda o povo em seu poder, já que é tão fácil mantê-lo com migalhas e assistencialismos. A burocracia empaca os direitos, torna deveres dos cidadãos as tarefas do Estado. A história passada obtém mais força do que a história presente, que se tornará parte da futura, mesmo que seja escrita por mãos míopes de uma democracia distorcida. Haja metáforas! Talvez a situação pudesse ser revertida para que as páginas fossem reescritas a cada dia com a visão do povo, e não apenas uma visão intelectualizada, quiçá abstrata ou idealizada, da massa que sobrevive de parcos recursos e ainda vota, e vota! Um infinito escrutinar sem tempo para sequer pensar e argüir o porquê de ter-se transformado em excrescência descompactada. Massa morta em um país onde já se tem os resultados antes de um referendo, pois na pauta do dia de trabalhadores não cabe nada mais além do trabalho. À exaustão assistem a insistência do “diga ...” e como títeres vão às urnas, prontíssimas para dizerem: “vocês decidiram” o que já decidido estava. Populismo e gastança desenfreada, para quê? Em outros pleitos inúmeros trabalhadores desistem da lembrança dos nomes daqueles que dilapidaram o patrimônio nativo. Recorrem à república 'baré'. Em um átimo, teclam os números (copiados no penúltimo papel-rascunho) daqueles que ordenaram o último pedido. Às vezes é vital esta providência, que de divina nada tem. Depois se arrependem, ou não admitem arrependimentos e defendem as manchas com bolhas de sabão.
E ei-nos aqui, traçando as linhas imaginárias do porvir, da próxima história, que chega em avião a jato.
Modesta Trindade Theodoro

1 Comments:

Anonymous L. Scoralick said...

Interessante o texto da professora,também o li no Diário da Tarde.
Aliás, o blog é muito bom. Estou com vcs.
L Scoralick

6:29 PM  

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