quarta-feira, setembro 07, 2005

ATO EM BELO HORIZONTE REÚNE 2.500 E INICIA PROTESTOS NOS ESTADOS

Governador Aécio Neves (PSDB) e prefeito Fernando Pimentel (PT) também foram alvos dos manifestantes

André Valuche e Lívia Furtado

Na quinta-feira, dia 1º de setembro, cerca de 2.500 pessoas participaram do protesto ‘Minas vai às Ruas’, contra a política econômica do governo e pelo Fora todos os corruptos. Foi o primeiro dos muitos protestos que a Conlutas irá realizar nas capitais, após a marcha do dia 17 de agosto. Os próximos serão no Rio de Janeiro, no dia 14, e em São Paulo, no dia 15.

Os manifestantes começaram a se concentrar a partir das 14h, faixas e cartazes contra a corrupção, contra as reformas neoliberais Sindical, Trabalhista e Universitária, exigindo verbas para educação e para a saúde. Havia bonecos e máscaras do Lula, Roberto Jefferson e Zé Dirceu, um boneco da CUT dentro de um caixão e enormes “Sandálias da Honestidade”.

A Praça da Rodoviária, aos poucos, foi ficando tomada. Eram estudantes secundaristas e professores, que vinham em caravanas das escolas, convocados pelo SindUTE de Belo Horizonte. Também haviam muitos universitários, principalmente da UFMG, onde o DCE fez uma grande divulgação. Diversos ônibus chegavam do interior, trazendo metalúrgicos, trabalhadores rurais, servidores e estudantes. Há cerca de duas semanas, desde que o ato foi marcado, sindicatos de cidades do interior, como Pirapora, Governador Valadares, Viçosa, Uberlândia, Itabira e Divinópolis, preparavam caravanas, arrecadando dinheiro para o transporte. Da vizinha Contagem, uma forte delegação marcou presença, com destaque para os metalúrgicos. Os sem-terra estiveram presentes. Diante de um governo que mantém a reforma agrária paralisada e do mar de lama que toma conta de Brasília, o MST de Minas assinou a convocatória do protesto e um ônibus trouxe um grupo de sem-terra para o protesto. Do Triângulo Mineiro, vieram integrantes de outro movimento, o MTL (Movimento Terra e Liberdade). Assim como haviam anunciado no encontro da Conlutas, em Brasília, o grupo uniu-se ao ato com uma faixa escrito: “MTL é Conlutas”.

Contra todos os corruptos

Na passeata, os discursos denunciavam a corrupção e a política econômica do governo Lula, mas também a situação dos trabalhadores mineiros e a corrupção no estado. O governador Aécio Neves (PSDB) aplica uma política de arrocho absoluto e os serviços de saúde e educação estão totalmente sucateados. É a política de cortes sociais para o alardeado “Déficit Zero”, uma repetição do que faz Lula para manter o superávit primário.

No município, Fernando Pimentel mantém uma administração petista com denúncias de corrupção e atrelada aos interesses do empresariado (principalmente empresas de ônibus e lojistas), colocando a polícia contra as lutas, como as de ambulantes, de perueiros e pelo passe-livre. “É intolerável o que o prefeito de BH tem feito. Espancou trabalhadores para favorecer os donos de lojas. Esse é o prefeito do Partido dos Trabalhadores”, disse Robson, do Sindibel.Foi esta mesma polícia que os manifestantes encontraram ao chegarem à Prefeitura, depois de caminharem pela Avenida Afonso Pena. Sob pedido do prefeito petista, o prédio foi fechado e cercado por policiais, o que não impediu a realização de um grande ato. Não ao acordão

A maioria das intervenções destacou a necessidade de avançar nos protestos contra a corrupção e o governo Lula. Para Zé Maria, presidente nacional do PSTU e um dos coordenadores da Conlutas, “Se não sairmos às ruas, o que vai acontecer é uma grande pizza! É fundamental a luta contra a corrupção, e ela sempre vai existir no capitalismo. Por isso a luta também é para derrubar as políticas econômicas, a reforma Sindical e Trabalhista”.

Júlia Eberhardt, da Conlute, denunciou a tentativa do governo e da oposição de direita de tentarem pôr fim à crise e convocou as pessoas a seguirem lutando. “CPI não vai dar em nada, é ladrão querendo derrubar ladrão. A única coisa que vai mudar o País é o povo nas ruas”.

A necessidade da construção de uma alternativa para a organização dos trabalhadores foi destacada por Giovani, do Sintape, Sindicato que representa os prestadores de serviço de Belo Horizonte. Ele foi muito aplaudido, ao anunciar que seu sindicato estava rompendo com a CUT governista.

Revolta

Outro ponto alto foi quando representantes da Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho de Minas Gerais (AAFIT/MG) se uniram ao protesto. Os auditores haviam acabado de realizar um protesto contra o Supremo Tribunal Federal, que concedeu habeas corpus ao fazendeiro Norberto Mânica, acusado de ser o mandante do assassinato de três auditores fiscais e um motorista em Unaí, em janeiro de 2004. O crime, que chocou o país, já completou 583 dias. Na ocasião, os auditores investigavam denúncias de trabalho escravo na região.