terça-feira, agosto 30, 2005

Sempre Anarquistas!

Sempre anarquistas! Diário da Tarde - 30/08/2005

Modesta Trindade Theodoro

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado organizava o abre-alas na marcha do dia 17 de agosto, em Brasília. Por sua vez, os anarquistas os ultrapassaram e conseguiram empanar suas bandeiras. O líder do partido supracitado não gostou do grito anarquista: o ovo, frito, jamais será cozido . Ele não pediu que os anarquistas se retirassem como afirmou um veículo de comunicação. Mandou, ordenou que seus leões-de-chácara dessem os braços e formassem um cordão de isolamento, para impedir quaisquer contaminações de punks ou anarquistas. Desminto quem disser que estou mentindo, pois a minha bandeira preta estava lá. Antes da ordem, os pstuístas começaram a empurrar. Quando perguntei se era aquela mesma a sigla da camiseta que o militante defendia, ou se ele era um policial a mando do Palácio ele retornou cuspindo: O PSTU aqui é polícia! . Estou adoentada, mas não recebo cutucão de homem sem revidar. Não bato, me defendo. O direito de ir e vir, para mim, é sagrado.

Esse foi o pecado da marcha. Por que não voaram sobre o Prona? Dá para entender? Anarquistas estão sempre nos movimentos sociais. Não esperávamos a truculência da extrema-esquerda , mesmo porque sou trabalhadora, fui com trabalhadores, fiquei com o bloco dos professores e camelôs por um bom tempo e sempre estive ao lado da população sofrida. É isso que eles chamam de ditadura do proletariado? Marx não a teorizou dessa forma. Praticaram sem o menor pudor a ditadura, mas da burguesia! Aproveitam crises e vão à luta. É certo, é justo. Querem o poder. No entanto, ninguém será bom no poder caso passe a usar as idênticas ¨armas¨ utilizadas pelo PT. Até entendo o porquê. São dissidentes do partidão . Saíram dele levando algumas marcas que não dá para tirar com água sanitária.

Quanto aos anarquistas, em 1890, desenvolveram na França o anarco-sindicalismo e participaram ativamente de sindicatos. Não era idéia nova. Na Inglaterra, Robert Owen, em 1830, defendeu a necessidade de os trabalhadores lutarem por melhores condições de trabalho no sistema capitalista reinante. Foi instaurado, três anos depois, o Feriado Nacional da Classe Trabalhadora - versão pioneira da Greve Geral, segundo historiadores. Os anarquistas franceses - Bakunin, Proudhon, Varlin - reconheceram o papel dos sindicatos e da comuna nas lutas sociais. É inacreditável que o anarquismo seja tratado, por um partido que se diz de esquerda, do modo como o foi. Preconceito e indecência política não deveriam fazer parte de manifestações. Óbvio, há facções anarquistas diferentes. No entanto, o objetivo sempre foi o mesmo: destituir o poder. Partidos querem obter o poder, eleger candidatos a ferro e a fogo. Aí reside a grande diferença. Mas as diferenças não deveriam, em tempo algum, acabar com o que há de semelhante: a luta pelo social, o basta à corrupção.

O anarquista norte-americano Thoreau dizia que a revolução somente se daria no momento em que leis e governos autoritários fossem desrespeitados. No caso da marcha do dia 17, não podemos dizer que houve revolução, mas revolta pela corrupção atual. Vê-se que grande parte da sociedade quer desvestir um santo , mas é bom saber que ela jamais aceitará vestir outro semelhante. As diferenças deverão ser grandes. O Palácio do Planalto não poderá continuar sendo reduto de stalinistas. Quanto à UNE e à CUT, que defendam quem quiserem em suas marchas secundárias, direito elas têm, porém o dinheiro dos trabalhadores não deverá ser usado para tal fim.

Espero, francamente, que um ou outro partido pondere e jamais exerça um papel de tropa de choque, senão o fora todos será fora todos mesmo! A sociedade, na certa, não afagará partidos aproveitadores. A polícia tem agido com serenidade. Está acontecendo o inesperado.

Modesta Trindade Theodoro - professora do Ensino Fundamental - Belo Horizonte

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Os stalinistas, os facistas italianos e os nazistas tem o mesmo molde: o autoritarismo, que se fundamenta na crença louca de estar certo sempre e de que o outro está errado sempre. Não é um caso de política, nem de polícia, MAS DE PSIQUIATRIA.
Prof.Geraldinho
IMACO - terceiro turno.

5:17 PM  
Anonymous Lucas Scoralick said...

Está certo o Geraldinho. É essa história de querer de qualquer forma o poder que pode acabar com qualquer partido. O negócio de sair espancando pessoas também não é legal.A gente fica esperando que as coisas melhorem. Aprendi um pouco sobre o anarquismo. Achava que era só zuar. Não é, que bom.
Obrigado tia.

7:41 PM  

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