terça-feira, junho 07, 2005

Frases célebres e a Greve

Frases célebres e a greve.

O fato de estarmos em greve, nos leva a vivenciar certas peculiaridades. Participar de um movimento grevista, como este que ocorre na RME em B.H, nos remete a algumas angústias. O confronto direto com o poder, na maioria das vezes, arrogante e truculento, faz com que entremos em um estado beligerante, onde, de certa forma, passamos a 'respirar' o ar da greve; ficamos ansiosos e o tempo todo atentos às armadilhas do adversário, os quais, invadem nossos sonhos e pesadelos, como fantasmas e assombrações. Sim. Monstros reais. Após a frustrada iniciativa de tentar levar os vereadores do PT(aqueles mesmos sete vereadores da legislatura anterior) a intercederem junto a PBH no sentido de abrir negociações, um professor, desapontado, desabafou: "Ajudei a construir um monstro". Sim. O monstro está à solta, e acreditem, quer nos devorar. Se à época do Patrus, a coisa já era feia, hoje está para lá de pior. A coisa é feia e fede.
Mesmo que nossos desafetos corram para a Argentina ou para a Finlândia (se afasta mais quem tem a perna maior) ainda deixarão para trás uma forte sensação de mal estar. Os vemos por todas as partes. Os grandes covardes, normalmente, batem e correm. Creio que Belo Horizonte ficou muito pequena para muitos gestores, ao longo do mês de maio, data base desta aguerrida categoria. Podem até desdenhar de nós, mas tenham certeza, incomodamos, e eles nos temem. Conhecem nossos limites, mas também nossa força.
A frase da rainha Maria I (a Louca), ao fugir com a família real de Portugal para o Brasil , quando as tropas de Napoleão estavam às portas de Lisboa "Não corram tanto, ou pensarão que estamos fugindo" é bem atual e ilustrativa. Para nós aqui, de pouco adianta a fuga, pois suas portarias, seus decretos, punições e ameaças continuam inflexíveis. A intransigência e a ausência de qualquer possibilidade de negociação de fato são os fantasmas que nos assombram. Repito: os vemos por todos os lados. É por isso que, pensando em algumas frases célebres da história, acabei vendo um pouco, com outro olhar, passagens da história do nosso movimento. São frases célebres, ditos populares, pérolas do imaginário coletivo que podem nos ajudar a refletir sobre o momento em que vivemos. Vamos a elas:

01- "De onde menos se espera, dali mesmo é que não sai nada."

Esta frase, do Barão de Itararé (1895-1971) tem um sentido atual tão óbvio, que dispensa qualquer comentário.

02- "Levou um puxão de orelhas."

É antigo o hábito de se arrancar as orelhas dos inimigos. Não que o Jumentel não mereça, mas resolvemos só puxá-las, e puxamos com força; sim, com muita força. É digno de nota trecho da 'Carta aberta ao prefeito e à população de Belo Horizonte', assinada pela FASPA/MG: "Prefeito, escolha pessoas mais bem preparadas para assessorá-lo. O bom político não desdenha, mas negocia, inclina os ouvidos e escuta o que seus funcionários têm a dizer". O navegador português Vasco da Gama(1469-1524) relatou o corte de oitocentas orelhas em suas viagens. O governador da Capitania do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, no período colonial, recebeu 7800 delas. Como nosso movimento é pacífico, resolvemos, então, apenas puxar as orelhas, apesar da porrada que muitos companheiros levaram da Guarda do Prefeito.

03- "Virar a casaca"

A história da política brasileira está cheia de gente que virou a casaca. A novidade do momento é o PT. Dá dó ver o Lula defendendo o Roberto Jefferson, do PTB (aquele da denominada 'tropa de choque' do governo Collor), contra denúncias de corrupção. O partido, que era dos trabalhadores, foi seqüestrado por um bando de oportunistas, baba-ovos do grande capital, que pretendem dar clara demonstração de sua política de subserviência, de gerenciamento dentro dos limites estreitos do neoliberalismo.

04- "Que bicho foi que te mordeu?"

Que bicho picou esta categoria levando-a ao enfrentamento? A indignação. A falta de sensibilidade política do governo municipal. A falta de diálogo. A falta de respeito. O bicho sanguessuga que pretende engessar a educação na cidade.

05- "A burrice é contagiosa; o talento não."

A greve poderia ser evitada pelo governo? É óbvio que sim. Sabendo que nossa data-base é maio, qual foi o índice de correção salarial oferecida pela administração Pimentel? "ZERO VÍRGULA ZERO POR CENTO". Afinal de contas, como diz a carta da FASPA/MG, "se há 'caixa' para aumentar os salários dos 'chegados', por que não dos educadores"? A falta de habilidade política é notória.

06- "A política não é uma ciência, mas uma arte."

No caso da PBH, é a arte da mentira e da enrolação. A arte de enganar a maioria absoluta da população de Belo Horizonte com propagandas caras e falaciosas.

07- "Abre-te Sésamo"

As palavras mágicas proferidas pelo herói de 'Ali Babá e os quarenta ladrões' para abrir a misteriosa porta da caverna, onde eram guardados os tesouros, podem muito bem serem utilizadas em nossas próximas manifestações. Quem sabe assim, o pomposo prefeito abra as portas de seu Real Palácio e mostre que o cofre não é só dos 'chegados'? Quem sabe o suntuoso castelo se abra e a prefeitura atenda algumas das nossas reivindicações?

08- "A Terra é azul."

A Finlândia parece ser bem distante, não é? Desperta, assim, no imaginário popular, uma sensação de isolamento, de fim de mundo, de distanciamento máximo e frio. Acho que quando se embarca para a Finlândia, não se dá um simples tchau, mas creio que um longo adeus, não é verdade? Em nosso caso específico, parece que o que se dá mesmo é uma grande banana. Bem, a Finlândia, então, está de bom tamanho. Melhor seria poder ver a cidade do espaço e dizer: "A Terra é azul", não é mesmo, Sr. Prefeito?

09- "Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura."

Este pode ser um bom lema e uma boa meta para a nossa categoria. Esmorecimento não resolve. Como educadores, temos o compromisso histórico de desmascarar as mentiras veiculadas na grande imprensa pelo poder de plantão. Temos que fazer frente à campanha de desvalorização e desmoralização do profissional em educação levada a cabo pelo governo da cidade. É necessário resistir, sempre.

10- "Ser surdo como um porta."

Característica do político que finge não ouvir o clamor popular. Será inesquecível a "III Marcha em defesa da educação contra a violência e por negociação já", que realizamos no dia 24 de maio. Foi bonito, valeu. Parece que até as portas ouviram.

11- "Até tu, Brutus?"

O que fazem em nossas Assembléias, assessores de parlamentares da bancada do governo que são declaradamente contrários ao nosso movimento e à nossa organização?

12- "Mateus, primeiro aos teus."

Aqui, no Reino do Pimentel, a versão mais apropriada seria: "Mateus, somente aos teus". Afinal de contas, "ninguém é bom de serviço sozinho", não é mesmo? 59% DE REAJUSTE JÁ PARA TODO O FUNCIONALISMO MUNICIPAL.




13- Ave, Maria!

Talvez precisemos, também, de muita oração. Devemos, pois, unirmos forças para dar à luz e conceber uma nova política educacional para a cidade, que paute suas ações no respeito e no diálogo franco e aberto com os professores dessa rede. Nesse sentido, não basta a mudança de rumos ou trajetória; é necessária a mudança de nomes.
FORA PILAR.