terça-feira, junho 07, 2005

Fato inédito: a população apoia a greve!

( na ausência de um, o título foi colocado pelo administrador do blog)
O quadro de escolas nesta greve vem sendo desde o início do movimento um dos pontos centrais de nossas preocupações. Durante as assembléias, nos encontros regionais e nos momentos de conversa o pequeno número de escolas paradas tem sido o argumento para aqueles que acreditam ser a hora de pensarmos numa parada estratégica para nossa greve.
Por outro lado, estamos vivenciando situações inusitadas no que diz respeito a forma como o povo desta cidade anda percebendo a greve. Que eu saiba são raríssimas as manifestações que nos sejam desfavoráveis. O aumento de 59% e os salários do prefeito e de seus secretários, estes sim, têm despertado a indignação das pessoas.
O que dizer do apoio da Federação de Associações de Pais e Alunos de MG ( FASPA/MG)? Diferentemente do que ocorreu nas greves anteriores a entidade, com seu poder de mídia e de intermediação, tem se colocado do nosso lado.
Tivemos ainda na última semana uma decisão judicial atrapalhada que mexe com uma questão muito grave: o direito de greve dos trabalhadores. Os demais sindicatos desta cidade, acredito eu, terão que se movimentar.
Mas de tudo que tenho observado o que mais tem me chamado atenção é a maneira como aqueles que não entraram em greve e mesmo aqueles que estão retornado às escolas tem se referido ao corte dos salários. Claro, não se trata de algo novo. Ainda mais vindo de pessoas como estas que se encastelaram na prefeitura e que tem como estratégia/método entre outros a cooptação, a coerção e o pavor. Ao entrarmos no movimento já sabíamos desta possibilidade. Sabemos como agem e quem são os nossos gestores, gerentes, chefes, etc. Faltou alguém? Que nojo!
Em uma de suas mensagens colocadas neste blog esta secretária mentirosa e truculenta falava de sua franqueza ( como se somente ela tivesse esta marca de personalidade) e reafirmava de forma categórica que iria promover o corte do ponto ( salários ) dos grevistas. Nossa! Que medo!
Esta secretária sabe que o corte de ponto não diz respeito apenas a nós professores. As escolas e toda a rede municipal de ensino tem um calendário de duzentos dias a cumprir. Se estamos pressionados pela possibilidade do corte, também ela poderá ficar pressionada pelo calendário escolar. Isto vai depender da nossa atuação. De minha parte devo adiantar que concordo com o que um de nossos colegas já escreveu aqui: “A hora é de radicalizar: REPOSIÇÂO ( SE HOUVER) _ SÓ DEPOIS DE FEVEREIRO - NADA DE SÀBADOS E FERIADOS COM SOBREPOSIÇÂO DE JORNADA -!”
Mas como dizia, a fala de alguns professores a cerca do corte de salarios é que tem me incomodado. Fica parecendo que apenas alguns de nós temos no salário pago pela prefeitura a garantia da sobrevivência.
Por mais de uma vez ouvi alguém dizer que correria o risco de passar fome caso seu salário fosse cortado. Quantos desta categoria já passaram fome? Querendo ou não, somos de certa forma parte de uma elite deste país. Sei que no Brasil muitos ainda passam fome, mas devo e quero acreditar que nossas famílias e as pessoas com as quais temos um relacionamento mais afetivo não nos deixariam morrer de fome.
A estranheza aumenta ao observar quem esta falando. Refiro-me ao jeito classe média de ser que muitos professores internalizam e externalizam sem se dar conta de que a cada ano se afirma e fortalece em nós a condição de proletário. Estamos sendo sugados e expropriados da nossa condição de sujeitos. Sem consentimento nos arrancam cada uma de nossas nódoas. Tudo aquilo que nos dava cor. Estamos ficando todos iguais.


NÃO HÁ VAGAS

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

- porque o poema, senhores,
está fechado:
"não há vagas"

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede
nem cheira

Ferreira Gullar


Múrcio Luiz
Escola Munic. Hilda Rabello Matta

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

SERÁ???? NÃO FORÇA A BARRA!!!! COMPANHEIRO!!!

9:10 AM  
Anonymous Anônimo said...

Para quem fez o comentário: vc é um borrabotas.

11:52 AM  

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