quarta-feira, junho 15, 2005

Carta à Imprensa

Em relação à reportagem veiculada no jornal ESTADO DE MINAS de terça-feira, 14 de junho, “Aluno perde 160 dias de aula”, gostaríamos de declarar nosso repúdio quanto ao conteúdo apurado pela repórter Isadora Camargos. Alguns pontos destacados na matéria, pelo que parece, não foram devidamente investigados e foram claramente manipulados. A utilização dos dados de forma parcial pela reportagem do EM fazem com que o leitor tire conclusões negativas a respeito dos professores e sobre a greve como instrumento legal de luta trabalhista. Dessa forma, a imprensa utiliza seu poder de “formadora de opinião” contra a classe trabalhadora e a favor do governo, deixando de lado a busca pela tão sonhada “imparcialidade”.
Os professores da Rede Municipal de Educação ficaram indignados com a manchete, justamente em uma reportagem de página inteira, de um jornal de grande circulação. Diante dessas críticas, gostaríamos de explicar certas informações que a repórter Isadora Camargos esqueceu-se de checar. Começaremos por uma análise técnica: a manchete com o texto “Aluno perde 160 dias de aula” está claramente casada com as informações que estão no bigode da matéria, que diz “estudante prestes a terminar a oitava série (...) ficou quase um ano letivo sem estudar”, e continua no lead da mesma matéria, onde está escrito que “um aluno que termina em 2005 os oito anos (...) perdeu 160 dias de aula – 80% de um ano letivo”. Está é uma forma voraz e desleal de implantar na mente de um leitor mais desavisado a idéia de que as paralisações foram tão extensas que comprometeram os estudos dos alunos da rede municipal. A repórter não explica como chegou a esses dados e também não diz, de fato, que dias são estes. Na verdade, furtivamente, a reportagem do ESTADO DE MINAS, apenas somou todos os dias parados desde 2001 (entre paralisações e greves). Ao dizer que é um levantamento exclusivo do EM, a matéria irremediavelmente ganha força. Um ato, aos nossos olhos, desleal e altamente corruptor. Em relação à referida “perda” gostaríamos de esclarecer que todos os dias parados foram repostos, sem exceções. Nosso compromisso é com o aluno e com a educação. A matéria desviou o foco da notícia em pauta (a greve e seu desfecho) na clara tentativa de caracterizar a atitude dos professores como “irresponsável”, o que não é verdade.
A reportagem ainda utilizou-se de fontes que atestariam a veracidade da tal “irresponsabilidade”: os alunos. Concordamos, é claro, que os maiores prejudicados são os alunos. Uma análise óbvia. Mas nem sequer prestou-se a ouvir ao mesmo tempo, (na vã tentativa da imparcialidade), um professor para explicar os motivos da greve, contrabalançando as opiniões de pais, alunos e também dos professores, para que, democraticamente os leitores do jornal pudessem formar suas próprias opiniões.
Ao publicar a pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a reportagem tenta se basear em algo legal, consistente, porém volta a posicionar-se parcialmente. É importante ressaltar que na última greve os professores foram apoiados pelos pais e estudantes, tanto na Marcha quanto formalmente pela Federação das Associações de Pais de Alunos de Minas Gerais (FASPA), entre outras entidades e demais associações de pais de alunos. Nenhum professor gosta de fazer greve. Ela é o último recurso de uma categoria, onde a profissão de educador, levando em consideração sua função social, não é devidamente valorizada e respeitada. A reportagem ainda “esqueceu-se” de dar mais detalhes sobre a opinião da população em relação às administrações municipais que, na verdade, são as grandes responsáveis pelas paralisações, já que não cumprem seu dever legal e cível de recompor perdas salariais e garantir a qualidade da educação. Infelizmente a greve, apesar de ser um direito constitucional, é a única garantia de que a categoria será levada a sério diante à falta de diálogo. Ao nosso entender está caracterizado, nessa matéria, que a imprensa está sendo utilizada pela máquina estatal abandonando sua função: a de levar informação com respeito, veracidade e responsabilidade aos seus leitores.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

A forma como parte da imprensa está vendida nessa capital denota o seu envolvimento no escândalo ligado ao publicitário do PT de BH, envolvido nos escândalos do planalto! Vamos apurar até que ponto e por quanto essa prefeitura está comprando as matérias tão distorcidas!

12:03 AM  

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