segunda-feira, maio 23, 2005

Uma desgraça chamada pt

A transformação de um partido
RIO e BRASÍLIA - Convertido em partido da ordem, o PT 2005 está muito distante daquele dos anos 80, quando pregava uma atividade política autônoma. Agora, é um partido tipicamente eleitoral, que ampliou suas alianças, a qualquer custo, para conseguir se eleger. Tal opinião é partilhada entre petistas e cientistas políticos.
De uma breve radiografia, o PT sairia assim: desvertebrado e preso aos aliados. Ao menos é desta maneira que sociólogos e cientistas políticos estão identificando a sigla. Sobretudo depois do encontro do Diretório Nacional no fim de semana em São Paulo.
- O PT tornou-se uma espécie de PMDB dos anos 2000. Partido que se alia a qualquer bloco ou setor que possa trazer benefício. Acabou num processo de fagocitose: foi engolfado pelos aliados. O maior exemplo é o caso Roberto Jefferson que atola o PT - dispara o sociólogo Ricardo Antunes.
Nessa perspectiva, não surpreende a condenação do PT à CPI dos Correios. Afinal, abafar a corrupção seria a única medida para imobilizar um movimento de investigação que vai bater nos partidos de centro-direita aliados ao governo.
A deputada federal, Maria José Conceição (DF), a Maninha, por exemplo, não concorda com a resolução do Campo Majoritário do partido que pede para que seus deputados e senadores ''não endossem a convocação da CPI dos Correios''.
- Assinei a favor e não volto atrás. Sou a favor que a comissão apure as denúncias contra um congressista, não contra o governo. Não acho que o deputado Roberto Jefferson seja mais companheiro que Virgílio, que trabalhou tanto para o crescimento e fortalecimento do PT - disse.
Mas a crítica da credibilidade e da ética do partido não é novidade. O cientista político Fábio Wanderley Reis lembra que a singularidade ética, uma das principais marcas da sigla, teve como divisor de águas o caso Waldomiro Diniz. De lá para cá, segundo o professor, o PT teria caído na ofensiva. E hoje encontra-se perplexo, sem saber como agir. Ou nas palavras de Ricardo Antunes: ''o PT no governo é um biruta, não sabe para onde vai''.
O presidente nacional do partido, José Genoino, discorda dessa visão. Segundo ele, o partido apenas virou governo.
- O PT é governo. Quem está no governo investiga e apura, não precisa de CPI. Já para a oposição a CPI é o único instrumento. Pedíamos CPIs no governo Fernando Henrique, pois não tinhamos confiança nas apurações do governo - diz.
O cientista político Leôncio Martins Rodrigues lembra que, no caso do PT, a distância entre teoria e prática é ainda maior, porque, antes de chegar ao poder, era um partido anti-governo e anti-sistema capitalista. E o presidente do partido não parece discordar da opinião de Martins Rodrigues.
O deputado federal Chico Alencar (PT-RJ), que pertence à chapa ''Para o PT voltar a ser o PT'', acredita que é a hora de o partido dar um ''choque ético'':
- Entendo que o exercício do poder pede mais pragmatismo, mas não pode significar esquecer o programa. Pede flexibilidade, mas isso não pode significar transigência ética. Está na hora de darmos um choque ético - defendeu, lembrando a contradição de punir Virgílio e abafar a CPI.
- É uma ironia trágica que no mesmo dia que decidimos não apoiar a CPI para apurar a corrupção, punimos um dos companheiros cujo comportamento ético ninguém duvida.
Alencar acredita que o governo tem desapontado:
- Não estamos sabendo realizar no governo todas as expectativas que criamos quando estávamos na oposição.
Milton Temer, que se afastou do partido em 2003, após a expulsão da senadora Heloísa Helena, garante que a mudança no partido não é recente. Ele lembra que em convenções da década de 1990, o Campo Majoritário, que comanda o partido, já começava a ser mais transigente, se distanciando dos ideais de fundação da sigla.
- No aparelho do estado, isso se radicalizou. Que o governo não fosse de esquerda é compreensível, mas não é compreensível que o PT tenha assumido a posição mais direitista do campo de alianças do governo.
Para Temer, o governo Lula é hoje mais ligado aos aliados de direita do que com a esquerda do partido.
- O verdadeiro parceiro do Lula hoje é o Roberto Jefferson. O Lula que lutou pela expulsão da Heloísa Helena é o mesmo que inocentou o Roberto Jefferson - atacou.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Artigo muito bem escrito, mas que foge à realidade. Qual categoria esta, atualmente, fazendo greve no molde dos professores da PBH. Este modelo já se esgotou. Na democracia prevaleçe o direito da maioria. Sou pai de aluno da ESCOLA MUNICIPAL PROFESSORA ELEONORA PIERUCCETTI e so não mudo meu filho de escola porque não tenho condições de custear uma Colégio particular. Isso não significa que vou brigar por professores que ganham mais do que eu. Na Escola professores fazem reunião pedagógica, dispensando meu filho; tem computador mas os alunos não tem aula de informática; tem biblioteca mas não da para usar direito; tem grosseria com alunos e tem greve. Porque não demitir os professores que não desejam trabalhar e colocar outros no lugar? Acho que a Prefeitura tem que agir mesmo.

9:42 AM  

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