quarta-feira, maio 25, 2005

Aos (às) colegas da EMEEVN (e da Rede)

Colegas de trabalho da EMEEVN (e da Rede)

Ninguém vive só. Ninguém promove mudanças sozinho (a).
Mais uma vez os (as) professores (as) de Belo Horizonte reúnem-se para discutir questões da educação municipal e reivindicar reajuste salarial. Este movimento não é novo para nós e não é novo na “Rede”, o que significa que muitas pessoas lutaram e garantiram conquistas que usufruímos hoje. É um movimento permanente e constante e cabe a cada um (a) decidir qual será a forma da sua contribuição neste e nos próximos.
Vivemos um momento muito difícil. Crise gravíssima do projeto educacional municipal cujas diretrizes não reconhecemos mais; baixa auto estima dos (as) profissionais da educação afetando nossa capacidade de trabalho e de mobilização; salários corroídos levando à necessidade de ampliação da jornada de trabalho e à realização de sucessivos cursos de especialização (alguns bastante duvidosos) gerando uma falsa impressão de ganho salarial; desarticulação dos momentos de discussão e de construção dos projetos pedagógicos são os exemplos mais graves que têm permeado nosso cotidiano colocando a necessidade de reagirmos.
Inicialmente, é preciso lembrar que antes de sermos trabalhadores (as) de uma determinada escola somos parte de uma grande categoria. O fórum de discussão da categoria é a assembléia, onde devem ser colocadas e votadas todas as propostas. Quando a categoria se reúne em assembléia os limites impostos pelos muros da escola são superados e então deve valer o que aquele coletivo decidir mesmo que seja contrário à nossa posição pessoal. Felizmente ainda temos na rede pessoas com memória suficiente para lembrar esse princípio fundamental da organização coletiva.
A opção pela greve, para muitas pessoas, não é uma decisão fácil de ser tomada, pois implica a aceitação dos riscos inerentes a este tipo de confronto. Inexplicavelmente, estas pessoas parecem preferir manifestar sua insatisfação dentro da escola, mesmo que de forma velada, sem perceber que o “inimigo”, que é comum a todos (as) nós, está em outro lugar. Além disso, reclamar apenas no interior da escola não contribui para alterar a situação.
Quando nos afastamos temporariamente da escola devemos nos lembrar que a reposição é um fato e deve ser defendida preservando-se o direito do aluno o que, certamente, comprometerá parte do nosso período de descanso. Não aderir à greve e continuar trabalhando pode significar concordância e/ou conformismo em relação às mudanças impostas pela Smed e à nossa atual situação salarial dando a impressão de que a greve não tem razão de ser.
Aderir à greve significa assumir a indignação contra as posturas autoritárias daqueles que temporariamente nos governam. Vale lembrar que nenhum governo reconhecerá espontaneamente a necessidade de aumento salarial da nossa categoria ou de qualquer outra (como feito recentemente pelos vereadores e o prefeito em benefício próprio). É nossa a tarefa de exigir melhoria salarial usando para isso a greve, direito consagrado em lei.
Durante a greve é importante reunir-se nas regionais e ir para a rua divulgar nossa indignação e reivindicações. A população precisa saber como os (as) profissionais da educação são tratados (as) por seus colegas professores (as) que ocupam os cargos temporários de secretário (a) e prefeito. Precisa saber também que a proposta governamental de educação para a cidade resume-se ao assistencialismo concretizado na distribuição de material escolar via escolas (não realizada até este mês pela falta de vários materiais) e à imposição de medidas sem a necessária discussão, mostrando que a decantada postura democrática é falsa e que educação não é sua prioridade.
Finalizando, desenvolver a capacidade de ver além do nosso microcosmo permite compreender que somos parte de um todo interdependente, nossas ações individuais afetam negativa ou positivamente esse todo. É tarefa pessoal a escolha de como se colocar no mundo: de forma solidária e compartilhada ou, como convém aos tempos modernos, de maneira individualizada, egoísta.
Ninguém trabalha por hobby. TODOS (AS) nós precisamos do salário no final do mês. É impossível determinar quem será mais ou menos afetado (a) com a suspensão do pagamento, que fatalmente acontecerá.
Da mesma forma, se a greve for vitoriosa, todos (as) nós teremos, igualmente, acesso aos ganhos, sem distinção entre quem contribuiu fazendo a greve e quem não contribuiu.

Belo Horizonte, 11 de maio de 2005

Professoras da EMEEVN em greve

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

teste

10:01 PM  

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